terça-feira, 10 de abril de 2012

"O homem é o único ser vivo que pensa na sua própria morte. Apenas ele têm consciência dos seus limites existenciais e do termo do seu ciclo biológico como ser único e irrepetível. Mas a morte em si própria é um insondável mistério, porque de facto ninguém sabe o que é morrer nem o que consiste a sua própria morte. Estamos familiarizados com a morte dos outros, dos amigos, dos nossos pais; assistimos à morte de outros seres vivos e percebemos que se fecha em cada morte um ciclo individual que se repete indefinidamente. Mas essa participação na morte dos outros, por mais íntimos que nos sejam aqueles para quem a vida acaba, é apenas um aspecto absolutamente exterior à morte, uma imagem, uma ideia, um conhecimento, um afecto. É um acto de vida.
Na realidade a morte é verdadeiramente um mistério que não se conhece. Porque ninguém a experimentou e porque no exacto momento em que ela ocorre já não é possível conhecer. O sujeito deixa de existir. As experiências de "quase morte" são evidentemente experiências de vida e como tal não podem deixar de ser tomadas. Estar morto é não estar. Os cadáveres não são vida. Não são ninguém. São apenas os restos do suporte biológico que necessariamente estão destinados à desagregação. Assim, a morte é impensável como tal. Está para além dos limites da existência; é a radical alteridade da realidade experimentável. "

Alexandre Laureano Santos

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